GEOGRAFIA
A ilha tem 19,8 quilómetros de comprimento e 14 quilómetros de largura máxima, uma area de 173,1 km2 com um contorno grosso modo pentagonal. É a terceira ilha mais habitada do arquipélago, com 14 994 residentes, segundo dados de 2011. A ilha do Faial integra o Grupo Central e é o vértice mais a Oeste das chamadas “ilhas do triângulo”, em conjunto com São Jorge e a ilha do Pico, da qual dista 6 km. O ponto mais elevado da ilha, aos 1043 m de altitude, está situado no Cabeço Gordo, na zona da Caldeira, a 38°34’34’’ de latitude norte e 28°42’47’’ de longitude oeste.
HISTORIA
Na cartografia do século XIV, a ilha aparece pela primeira vez individualizada no Atlas Catalão (1375-1377) identificada como "Ilha da Ventura". Gonçalo Velho Cabral, em 1432, em 1432, terá achado as ilhas do Grupo Central. Diogo de Teive passa ao largo da Ilha do Faial na sua primeira viagem de exploração para ocidente dos Açores, em 1451.
Em 1460, no testamento do Infante D. Henrique, encontra-se referida como "ilha de São Luís [de França]". O seu atual nome deve-se à abundância das chamadas faia-das-ilhas (Myrica fava) aquando do seu povoamento.
Gaspar Frutuoso afirma que o primeiro povoador da ilha terá sido um eremita vindo do Reino,que vivia apenas com algum gado miúdo. Presume-se que os primeiros povoadores tenham chegado a ilha em 1432, indo mais tarde também moradores da ilha Terceira.
O único relato coevo conhecido da primeira expedição à ilha do Faial é da autoria de Valentim Fernandes da Morávia. Este informa que o confessor da Rainha de Portugal, Frei Pedro, indo à Flandres, como embaixador junto da Duquesa de Borgonha, Infanta D. Isabel de Portugal, relacionou-se com um nobre flamengo chamado Joss Van Hurtere, ao qual contou "como se acharam as ilhas em tal rota e que havia nelas muita prata e estanho (porque para ele, as ilhas dos Açores eram as supostas ilhas Cassitérides)". Hurtere convenceu 15 homens de bem, trabalhadores, "dando a mesmo a entender, de como lhes faria ricos", caso o acompanhassem.
Por volta de 1465, Hurtere desembarcou pela primeira vez na ilha, os 15 flamengos, no areal da enseada da Praia do Almoxarife, tendo permanecido na ilha durante 1 ano, na Lomba dos Frades, até que se esgotaram os mantimentos que tinham trazido. Revoltados por não encontrarem nada do que lhes fora prometido, os seus companheiros pensaram em mata-lo. Hurteve valeu-se de esperteza para escapar da ilha, retornando para a Flandres e comparecendo novamente perante a Duquesa da Borgonha.
Por volta de 1467, Hurtere regressou numa nova expedição, organizada sob o patrocínio da Duquesa da Borgonha, que mandou homens e mulheres de todas as condições, assim como padres, e tudo quanto convém ao culto religioso, além de navios carregados de móveis e de utensílios necessários à cultura das terras e à construção de casas, e deu-lhes, durante 2 anos, tudo aquilo de que precisavam para subsistir, segundo legenda feita pelo geógrafo alemão Martin Behaim no Globo de Nuremberga.
Valentim Fernandes acrescenta um pormenor, por rogo da dita Senhora, os homens que mereciam morte civil mandou que fossem degredados para esta ilha.
Não satisfeito com o local original, Hurtere decidiu contornar a Ponta da Espalamaca e próximo do local de desembarque mandou erguer a Ermida de Santa Cruz (no local onde hoje existe a Igreja de N. Sra. das Angústias).

Este regressou a Lisboa e casou-se com D. Beatriz de Macedo, criada da Casa do Duque de Viseu. O Infante D. Fernando, Duque de Viseu e Mestre da Ordem de Cristo, fez-lhe doação da Capitania do Faial, a 21 de Março de 1468. Por volta de 1470, desembarcou Willem Van Der Haegen, que aportuguesou o seu nome para Guilherme da Silveira, liderando uma segunda vaga de povoadores. O rápido crescimento económico da ilha ficou a dever-se à cultura de trigo e do pastel.
Manuel José de Arriaga Brum da Silveira e Peyrelongue nasceu na Casa do Arco, na cidade da Horta, a 8 de Julho de 1840, morrendo em Lisboa, a 5 de Março de 1917. Advogado, professor, escritor e político de origem açoriana, grande orador e membro destacado da geração doutrinária do republicanismo português, foi dirigente e um dos principais ideólogos do Partido Republicano Português.
A 34 de Agosto de 1911 tornou-se no primeiro presidente eleito da República Portuguesa, sucedendo na chefia do Estado ao Governo Provisório presidido por Teófilo Braga. Exerceu aquelas funções até 29 de Maio de 1915, data em que foi obrigado a demitir-se, sendo substituído no cargo pelo mesmo Teófilo Braga, que como substituto completou o tempo restante do mandato.
Filho de Sebastião José de Arriaga Brum da Silveira e de sua esposa Maria Cristina Pardal Ramos Caldeira. Pertencente à melhor sociedade faialense, o pai era um dos mais ricos comerciantes da cidade, último administrador do morgadio familiar e grande proprietário. A família, com pretensões aristocráticas, traçava as suas origens até ao flamengo Joss Van Aard, um dos povoadores iniciais da ilha. Era neto do general Sebastião José de Arriaga Brum da Silveira, que se distinguira na Guerra Peninsular, e sobrinho-neto do desembargador Manuel José de Arriaga Brum da Silveira, que em 1821 e 1822 fora deputado pelos Açores às Cortes Gerais e Extraordinárias da Nação Portuguesa.

PONTOS INTERESSE TURISTICO
Um ponto de paragem obrigatória no Faial é o Café Peters Sport, onde poderá apreciar uma boa refeição e adquirir tee-shirts, polos e outras recordações da ilha. A sua história remonta à fundação do "Bazar do Fayal", no Largo de Neptuno, atual Praça do Infante, na Horta. Vocacionado para o comércio de artesanato local, tinha como seu proprietário Ernesto Lourenço Azevedo. Tendo participado da Exposição Industrial Portuguesa (Lisboa, 1888), de la saiu com a medalha de ouro e diploma, pela qualidade e diversidade dos seus artigos.


Posteriormente, no início do século XX, passa a denominar-se "Casa dos Açores/Azorean House", e amplia as suas atividades que, além do artesanato regional, passam a compreender um bar, cuja localização estratégica, vizinho ao porto da Horta, lhe favoreceu altamente os negócios.
Na Primeira Guerra Mundial, em 1918, Henrique Lourenço Ávila Azevedo um dos filhos do fundador, alterou-lhe o nome para "Café Sport", devido à paixão que cultivava pelo desporto, uma vez que era praticante de futebol, remo e bilhar. A origem do nome "Peter" está ligada à tripulação do "HMS Lusitania II" da Royal Navy. Reconhecendo semelhanças entre o jovem José Azevedo com o seu filho de nome Peter, o oficial-chefe do serviço de munições e manutenção daquele navio, passou a chamá-lo de Peter. E por esse apelido José Azevedo ficou conhecido o resto de sua vida.
Temos o vulcão dos Capelinhos; O Museu de Scrimshaw, inaugurado em 1986,que possui a maior e mais bela colecção particular de "Srimshaw" no mundo. Trata-se da arte de entalhe e gravação ou pintura em marfim (ossos e dentes). No Audiotour, organizado pela Câmara Municipal da Horta, tem disponíveis equipamentos áudio, que lhe podem proporcionar informação detalhada em Português e Inglês sobre os locais importantes a visitar, nos circuitos de arquitectura, de cabos submarinos, de Dabney, industrial e comercial, dos jardins, militar, noturno, do povoamento e religioso. Efectuando estes circuitos e utilizando este equipamento, ficará a saber mais sobre a história e cultura da ilha.
A cosmopolita cidade da Horta tem na sua Marina um dos locais de referência. Aqui, aportam iatistas de todo o mundo, que cruzam o Atlântico. As pinturas que deixam nas paredes e chão da Marina são o testemunho da sua passagem, para anos mais tarde recordar, ou ainda, porque se diz que os marinheiros que não o fizerem não chegarão ao seu destino.
O Monte da Guia, de onde pode admirar a cidade da Horta, a praia do Porto Pim e costa até à Ponta de Castelo Branco e a Ilha do Pico. Esta zona é considerada paisagem protegida.
Outro dos miradouros sobranceiros à cidade da Horta é de Espalamaca; daqui, além da cidade, porto e Marina, também pode admirar as Ilhas do Pico, S. Jorge, praia de Almoxarife e a costa até à Ribeirinha.
A Caldeira,uma cratera com cerco de 400 metros de profundidade e 2Km de largura, classificada como reserva natural, ladeada por hortênsias azuis, faias, zimbros, fetos, etc, é um dos atractivos desta ilha.
O Cabeço Gordo – na zona central da ilha, esta elevação tem 1043 m de altitude. Daqui pode avistar as ilhas Pico e S. Jorge, assim como toda a ilha do Faial.
O Jardim Botânico na Quinta de S. Lourenço, merece uma visita, tal como o Museu da Horta, que reúne uma vasta colecção de trabalhos em miolo de figueira, expressão artesanal, característica desta ilha.
O Museu de Arte Sacra possui interessante estatuária religiosa, assim como escultura flamenga do Séc. XV.
O Museu de Scrimshaw – situado por cima do “Peter-Café Sport”, e propriedade dos herdeiros do Sr. José Azevedo (Peter), reúne uma vasta colecção de peças dos mais conceituados artesãos.
Na Exposição do Vulcão dos Capelinhos, poderá observar fotografias da época que registaram as diversas fases da erupção vulcânica. Pode ainda visitar o
Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos que tem carácter informativo, didáctico e cientifico. O edifício encontra-se soterrado, permitindo ao visitante desfrutar da paisagem vulcânica inóspita, provocada pela erupção de 1957/58 dos Capelinhos. O Centro tem diferentes áreas de visitação: uma exposição temporária com a exibição de colecções de amostras geológicas; um auditório onde se podem visualizar filmes sobre os Açores e o Vulcão dos Capelinhos; e uma exposição interpretativa que oferece uma viagem pela história dos faróis açorianos, pela erupção do Vulcão dos Capelinhos, principais tipos de actividade vulcânica no mundo e pela formação do arquipélago dos Açores, desde o inicio até à actualidade. Esta viagem termina com a subida ao farol, onde é possível desfrutar desta recente paisagem vulcânica, a partir de uma plateia singular. O Museu Centro do Mar, no acesso ao Monte da Guia (paisagem protegida), nas instalações de uma antiga fábrica de transformação de baleias que laborou entre 1941 e 1974, este museu é um espaço destinado a exposições dinâmicas sobre termos relacionados com o mar, onde se efectuam também reuniões e congressos.
Para relaxar tem a estancia termal e zona balnear do Varadouro.








GASTRONOMIA
Ao visitar o Faial poderá degustar pratos como polvo guisado com vinho, caldo de peixe e caldeirada. Pão e bolo de milho são acompanhamentos preferenciais. As carnes, morcelas e linguiças servem de petisco ou como refeição, quando servidas acompanhadas de inhame. A receita da molha de carne confia em especiarias como a pimenta, cominhos e canela para temperar o generoso refogado em que se coze a carne de vaca.
Na doçaria, são típicas as Fofas do Faial, uns os bolinhos de massa aromatizada por sementes de funcho cozem no forno antes de serem recheados com um creme à base de gemas de ovos, leite, açúcar, farinha e raspa de limão.
ACTIVIDADES
Para a prática balnear, temos as praias de Porto Pim, Conceição complementam-se e a Almoxarife, um longo areal de cor escura com vista privilegiada para a Montanha do Pico. Na zona do Varadouro, a baía inclui uma piscina natural em reentrâncias e pontas rochosas de lava negra.
A Horta é tambem um importante centro para a observação de cetáceos, natação com golfinhos, saídas de mergulho e passeios de barco, sendo possível atravessar os canais entre as ilhas em lanchas baleeiras bem preservadas ou em kayaks alugados. Vela, windsurf, remo e surf são outras actividades aquáticas que encontram boas condições em diferentes pontos da ilha. A pesca desportiva tem grande tradição, sendo comum a captura de exemplares recordistas de tubarões e espadins nas incursões em alto mar.
Em terra, as dezenas de quilómetros de trilhos que percorrem o interior montanhoso da ilha e as zonas costeiras convidam a inesquecíveis percursos a pé ou de bicicleta. A adrenalina aumenta nos circuitos adequados a BTT, jipe 4x4 ou kart-cross.



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