quarta-feira, 11 de maio de 2016

GRACIOSA

Com 12,5 quilómetros de comprimento e 7 quilómetros de largura máxima, a ilha Graciosa possui uma forma alongada de Noroeste para Sudeste. Os seus 4 391 habitants, segundo dados de 2011, espalham-se pelos 60,66 km2 que constituem a superfície da ilha. É a ilha mais a Norte das cinco que compõem o Grupo Central do arquipélago dos Açores e a ilha mais próxima é a de São Jorge, a 37 km de distância. O ponto mais elevado da ilha Graciosa situa-se no bordo sul da Caldeira da Graciosa aos 405 m de altitude, nas coordenadas 39º 01' 18. 165" de latitude norte e 27º 58'00.29" de longitude oeste.
HISTORIA A Graciosa foi descoberta no séc. XIV e recebeu este nome, devido ao verde dos seus campos e ao deslumbramento das suas paisagens. Por volta de 1432, a ilha recebeu gado, mandado lançar por ordem de D. Henrique, sendo o seu povoamento feito cerca do ano 1451. O seu primeiro povoador foi Vasco Gil Sodré, natural de Montemor-o-Velho, que, tendo chegado à Terceira, passou a esta ilha, com a sua família e criados. Quanto ao local, onde estabeleceu a primeira povoação, julga-se que foi o Carapacho, tendo aí edificado a casa da alfândega, embora haja quem aponte para a Praia. Vasco Gil Sodré fez diligências para que fosse dada a capitania da ilha, mas não o conseguiu. Assim, a ilha foi dividida em duas capitanias: a da parte norte, entregue a Pedro Correia da Cunha; a parte sul, para Duarte Barreto. Mais tarde, em 1485,com o assassinato de Duarte de Barreto, pelos piratas espanhóis, Pedro Correia da Cunha foi designado capitão donatário de toda a ilha, em virtude de ser uma terra pequena para duas divisões. Desde muito cedo, duas zonas foram-se evidenciando: a de Santa Cruz e a da Praia, que se tornaram Vilas. A de Santa Cruz, em 1486 e a da Praia, em 1546. Mais tarde, em 1867, a Praia perdeu essa categoria, em virtude de serem limitados os seus rendimentos. Atualmente, a ilha tem um só concelho, Santa Cruz, e quatro freguesias: Santa Cruz, Praia, Luz e Guadalupe. Durante muitos anos, considerou-se que a Vila de Santa Cruz tinha recebido o seu foral em 1500, mas ultimamente aponta-se para o ano de 1486. A partir do povoamento, este lugar foi-se desenvolvendo e destacando como centro natural de convivência, onde foram surgindo habitações, algumas de grande porte. Tal foi o seu desenvolvimento, em relação ao conjunto dos lugares que mereceu a honra de foral. No seu conjunto, esta Vila apresenta-se pitoresca, tornando-se muito interessante uma subida ao Monte da Ajuda, para se poder apreciar a graciosidade do traçado das suas ruas e das suas casas. O seu porto, ampliado há alguns anos, serve de apoio à pesca. GASTRONOMIA Alem das famosas caldeiradas, e do marisco (lagosta, cavaco, santola, caranguejos e lapas), a doceria vai desde as queijadas da Graciosa, pasteis de arroz, capuchas, escomilhas, encharcados d’ovos, cavacas, massa sovada á barriga-de-freira. Na area das bebidas, destacam-se as aguardentes o vinho branco, seco, leve, e com um aroma frutado. PONTOS INTERESSE TURISTICO A Furna do Enxofre, no maciço da Caldeira, vale a pena visitar, pois é um local de interesse excecional e um fenómeno vulcanológico muito raro. Uma escadaria em caracol, lançada entre rochas escarpadas, conduz a uma enorme abóbada vulcânica, sob a qual se estende uma lagoa de água morna e sulfurosa, a chamada Furna do Enxofre com 130 m de diâmetro por 80 de altura, e uma profundidade de 100 m. Esta deverá ser visitada, de preferência entre as 11 e as 14 horas, para aproveitar melhor a luz do sol, que penetra mais facilmente pela boca estreita que dá acesso à superfície, iluminando o seu interior. Do cume do maciço da Caldeira tem um belo panorama e pode avistar as outras ilhas do grupo Central. Temos também as Furnas dos Bolos, Manuel d' Avila, Furada, Linheiro, Lembradeira, Cardo, Cão, Gato, Queimado, Labarda, Castelo, Calcinhas, Vermelho, Urze e Luís. O Monte da Nossa Senhora da Ajuda, faz sombra à Vila de Santa Cruz e tem uma otima vistapanorâmica, não só sobre a vila e a parte norte da ilha, coberta de vinhedos, como ainda sobre a extensa planície interior da freguesia de Guadalupe. É de recomendar uma visita às três ermidas erguidas nos pontos mais altos do monte, dedicadas a S. João, a S. Salvador e Nossa Senhora da Ajuda. A Caldeirinha, à entrada da Serra Branca, dispõe de uma larga panorâmica sobre a ilha e as restantes do grupo Central Terceira, S. Jorge, Pico e Faial. O Pico O O O Pico Timão (398 m) e o Pico do Facho (375 m) são ambos de pequena altitude e tem linhas curvas e macias e sendo cobertos de vegetação primitiva (urzes, faias, vinhático e incense), são quadros naturais para bons passeios. As Termas do Carapacho são de salientar pela riqueza das suas águas sulfurosas, cloretadas sódicas e alcalinas, utilizadas para fins terapêuticos (reumatismo e doenças de pele). Um dos encantos da ilha, são os vários ilheus que afloram do mar povoados de aves, disseminados ao longo da costa. O ilhéu da Praia, coberto de vegetação, merece uma visita. Mas o mais sugestivo é o da Baleia, assim denominado por se assemelhar a um gigantesco cetáceo ancorado à beira-mar. Quanto aos moinhos, as velas são engradados de madeira, revestidos de pano quando se deseja mais velocidade ou o vento sopra com pouca força. O tronco de cone das paredes tem a alvura da cal. A porta e as pequenas janelas são debruadas a cor azul ou vermelha. A cobrir o conjunto, a cúpula com forma de bolbo, terminando em bico. São assim os pitorescos moinhos situados no cimo das colinas, verdadeiros ex-libris da ilha e que têm na área da Praia o mais importante conjunto. O perfil e forma do engenho faz recordar os que, durante séculos, moeram o pão ou bombearam a água nos campos do Norte da Europa, mas a sua origem estará ligada à presença dos flamengos no povoamento das ilhas dos Acores. Só no início do séc. XIX, com o fim do absolutismo, é a moagem liberta e desagravada de impostos. O primeiro moinho de vento surge, na opinião dos estudiosos, em 1818, por iniciativa de um padre da ilha Terceira. Outros se seguem, e estes espalham-se por todo o arquipélago, excepto a ilha das Flores, onde abundam as azenhas. Os moinhos utilizados nos Açores variam conforme a ilha. Na Graciosa é a cúpula que se desloca para acompanhar a direcção do vento, utilizando para o efeito o longo timão de madeira, que quase toca o chão. No Faial, por exemplo, é todo o corpo do moinho, construído em madeira e outros materiais leves, que roda sobre a torre de pedra em que assenta. Fica, portanto, o enigma da origem dos moinhos açorianos, mas os moinhos, integram-se tão harmoniosamente no verde da paisagem, que mereciam estar já ali à espera da chegada dos primeiros povoadores.

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