GEOGRAFIA
A ilha do Pico e a do Faial estão separadas por um canal com cerca de 6 km de largura e uma profundidade média de 95 m, a Norte do alinhamento Ponta da Espalamaca-Ilhéus da Madalena, enquanto que a Sul daquele alinhamento a profundidade média das águas é de cerca de 140 m (IH, 1942). A ilha de São Jorge está localizada a Norte da ilha do Pico, a cerca de 18 km, separadas por um canal com profundidades na ordem dos 1200 m.
O Pico tem um comprimento máximo de 46,35 km, entre a Ponta do Arieiro (Madalena) e a Ponta da Ilha (Manhenha), sendo a sua largura máxima, medida perpendicularmente ao máximo comprimento, de 16,05 km, entre a Ponta Negra (Cabrito) e a Lage do Cavalo (Ponta de São Mateus). O perímetro da ilha é de cerca de 119 km.
Esta ocupa uma área planificada de 446,4 km2 e o seu ponto mais elevado localiza-se no topo do cone do Piquinho (ou Pico Pequeno), a 2351 m. No sector oriental da ilha, as maiores altitudes são atingidas no marco geodésico de Caveiro (1076 m) e na região do Topo (1022 m).
Administrativamente, a ilha do Pico compreende as freguesias de Calheta do Nesquim, Lajes do Pico, Piedade, Ribeiras, São João, Ribeirinha, Bandeiras, Candelária, Criação Velha, Madalena, São Caetano, São Mateus, Praínha, Santa Luzia, Santo Amaro, Santo António e São Roque do Pico, distribuídas por três concelhos de acordo com a repartição geográfica indicada na Figura 2.1. Os aglomerados populacionais da ilha dispõem-se ao longo do litoral, onde, de acordo com o XIII Recenseamento Geral da População (INE, 1992), residiam 15 129 pessoas, distribuídas pelos concelhos de Lajes do Pico (5508), Madalena (5962) e São Roque do Pico (3659).
Em Julho de 2004, a UNESCO considerou a Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico como Património da Humanidade. A área assim classificada engloba os lajidos das freguesias da Criação Velha e de Santa Luzia. Presentemente, pretende-se constituir um Parque Nacional na Ilha do Pico, englobando a área da Montanha do Pico e o Planalto Central.

HISTORIA
Não se sabe a data exacta da descoberta nem do povoamento da ilha, nem o nome dos seus descobridores, mas pode deduzir-se que no ano de 1439 a existência da ilha do Pico, conjuntamente com a do Faial, seria já do conhecimento da Coroa Portuguesa. Isto, pois apesar das primeiras viagens de reconhecimento do arquipélago açoriano (com o objectivo de lançar gado nas várias ilhas) terem sido entre 1431 e 1432, a primeira referência das autoridades portuguesas sobre as ilhas dos Açores surge num documento datado de 2 de Julho de 1439, no qual é autorizada a colonização das 7 ilhas já conhecidas, com exclusão das ilhas de Flores e Corvo, que ainda não tinham sido descobertas.
Em 1470 durante o processo de consolidação do povoamento das ilhas dos grupos oriental e central, o povoamento da ilha do Pico deparou-se com algumas dificuldades em atrair e fixar habitantes, devido á orla marítima de desenho retalhado e alcantilado, á natureza dos terrenos abundantes em pedra e aos recursos de água disponíveis.
Ou seja, não havia um ancoradouro seguro para o desembarque, os solos eram pobres e a abundância de formações lávicas, que sendo muito permeáveis facilitavam a rápida infiltração das águas, o que fazia com que houvessem poucas ribeiras e riachos. Por consequência, o abastecimento de água, questão fundamental para a fixação da população, era sazonal e regulado precisamente pela época de maior pluviosidade. O que terá obrigado não só as populações a servirem-se de várias estratégias com vista à obtenção de água, como condicionou decisivamente a localização inicial do povoamento da ilha do Pico.
Segundo Frei Agostinho de Mont’Alverne (1962): “O primeiro homem que se acha haver entrado nesta ilha, para a povoar, foi um Fernão Álvares Evangelho, que vindo-a buscar pela parte do sul, saltando em terra com um cão, o mar se lavantou de sorte que a barca tornou para a caravela em que veio, que não apareceu senão passado um ano, sustentendo-se dos porcos que matava, que os havia na terra, com muito gado de toda a sorte, que o Infante Dom Henrique, quando se descobriram as ilhas, de toda a sorte mandou botar. Passado o ano, tornou a caravela buscar a ilha, por aquela parte do sul, vindo com melhor maré, ele os encaminhou para o porto onde hoje é a freguesia das Ribeiras; nele saltaram e povoaram, sendo os primeiros povoadores Fernão Álvares e Jordão Álvares; este povoou-a onde saltaram, o outro pela Ribeira do Meio”.
Assim, o povoamento da ilha do Pico inicia-se por volta do ano de 1482, pelo lado Sul, na zona das Ribeiras, a que se seguiu um outro núcleo na zona da Ribeira do Meio. A constituição do primitivo núcleo habitacional na costa Sul da ilha do Pico leva à formação do município das Lajes do Pico, em 1503, data em que as crónicas da época referem a existência da vila das Lajes. O povoamento da zona Norte da ilha da-se a partir de 1510 e, perante o aumento da população e a sua dispersão pela ilha do Pico, é criada, no ano de 1542, a Vila de São Roque do Pico. A existência de dois concelhos na ilha do Pico prolonga-se até à criação da Vila da Madalena, por alvará de Março de 1723, face à sua crescente importância económica e à estreita relação com a ilha do Faial.
No que toca à origem dos povoadores, defende-se que a maioria terá vindo da ilha do Faial, sendo de considerar um importante contributo flamengo no povoamento da ilha do Pico.



FESTIVIDADES LOCAIS
Tendo a ilha do Pico sofrido uma grande vaga de emigração na segunda metade do século XX, que afectou bastante a sua população, as festas de São Roque do Pico, sendo uma das de maiores proporções na ilha, ganham uma dimensão simbólica significativa e atraiem um grande de emigrantes à ilha na última semana de Junho. Concertos, exposições, feiras e outras actividades culturais fazem parte destas festas.
O festival musical Cais de Agosto realiza-se, dependendo do calendário na última semana de Julho ou na primeira semana de Agosto, em São Roque do Pico.
Temos tambem a Festa do Senhor Bom Jesus Milagroso, em São Mateus, na primeira semana de Agosto; a Semana dos Baleeiros, uma festa religiosa, musical, mas sobretudo marítima a decorrer nas Lajes do Pico, na última semana de Agosto.
E por fim, as Festas do Espírito Santo, na sétima semana depois da Páscoa.








GASTRONOMIA
Polvo guisado com vinho de cheiro, morcela, linguiça com inhame, molha de carne, bolo de milho e os caldos de peixe, são algumas boas sugestões para quando visitar o Pico. No que toca ao marisco, temos cavaco, lagosta e caranguejo.
A massa sovada, as rosquilhas, as vésperas e o arroz-doce são a doçaria típica da ilha, ligada aos festejos do Espírito Santo, completada ainda pelos doces do período de Carnaval, as filhoses, os coscorões e os sonhos.
Convém tambem lembrar que o pico é uma ilha de tradição vinicula, onde se produzem vinhos brancos, tintos e rosé muito apreciados na Região. Aos poucos, tenta-se recuperar o prestígio do vinho proveniente da casta verdelho, melhorando a produção e inovando nos produtos. “Basalto”, “Lajido” e “Terras de Lava” são vinhos do Pico que remetem para uma relação homem-natureza que a ilha muito preza. A Cooperativa Vitivinícola da Ilha do Pico, na Areia Larga concentra a produção local, já baseada em novas castas, e pode ser visitada. As aguardentes de figo e de nêspera também têm adeptos e ainda se conseguem encontrar velhos alambiques de cobre a funcionar. A angelica e os licores de frutos são propostas mais doces.
A ilha sempre foi grande produtora de fruta, como maçãs, peras, damascos, pessegos, ameixas e laranjas, sendo afamado o figo, de interior vermelho vivo. O mel produzido com a flor do incenso e o Queijo do Pico, um queijo de leite de vaca de pasta mole muito apreciado, completam a lista de preciosidades gastronómicas da ilha.


PONTOS INTERESSE TURISTICO
Vale a pena visitar a Gruta das Torres e o conjunto geológico, denominado Furnas do Frei Matias. Na Madalena, temos o Museu do Vinho, instalado no antigo Convento das Carmelitas, o Museu da Indústria Baleeira, em São Roque do Pico, e o Museu Regional dos Baleeiros, nas Lajes do Pico.
A Adega Cooperativa, onde se produz o famoso verdelho tão apreciado pelos “Czars”. Recebe habitualmente os visitantes, oferecendo-lhe uma prova do VLQPRD “Lajido”, principal Ex-Libris do concelho.
Os Arcos do Cachorro, uma formação rochosa com a configuração do focinho de um cão deu o nome a esta zona. O mar penetra pelos diversos túneis feitos pela erosão, fazendo efeitos interessantes. Também nesta zona, foi construída uma central eléctrica, que funciona com a energia resultante da força das ondas; a Quinta das Rosas, um parque florestal com espécies exóticas; o Museu Industrial - situado em S. Roque do Pico, instalado na antiga Fábrica das Armações Baleeiras, onde existem apetrechos utilizados na transformação da baleia em produtos como a farinha e o oleo; as Lagoas do Capitão, Caiado e Paul – zonas de interessante paisagem.
Os Mistérios de Santa Luzia, Prainha e S. João, formados pela lava de erupções vulcânicas, que se verificaram no mar e que se uniram à ilha, são zonas a incluir no seu roteiro.
Santo Amaro que é conhecida por ser uma terra onde a construção naval, teve grande importância. Ainda hoje funcionam aí alguns pequenos estaleiros navais. Visite também a Escola de Artesanato; a Piedade, no parque Matos Souto, onde existem espécies vegetais raras; o Miradouro da Terra Alta, situado na estrada que circunda a ilha pelo Norte, de onde se pode observar a Ilha de S. Jorge, assim como a paisagem que a riqueza florestal da Ilha do Pico nos oferece; e por fim a Calheta do Nesquim, povoação com pequeno porto de pesca com grande tradição baleeira, que se constituiu a primeira Armação Baleeira.
As principais igrejas da ilha são a Igreja de Santa Maria Madalena, a mais importante igreja da ilha, construída no Séc. XVII; o Convento S. Pedro de Alcântara, Edifício do Séc. XVII com interior muito valioso; a Ermida de S. Pedro, o primeiro templo a ser construído na ilha, datada do primeiro quartel do Séc. XV, situa-da nas Lajes do Pico; a Igreja Nossa Senhora da Conceição. Construída no Séc. XVIII; a Igreja de Santa Bárbara, nas Ribeiras, foi construída no Séc. XVII e reconstruída no Séc. XX e; a Igreja de S. Sebastião, na Calheta do Nesquim, construção do Séc. XIX no local onde existia uma capela do Séc. XVI.
Vale a pena tambem conhecer o artesanato da ilha. A caça à baleia, produziu a matéria-prima para se desenvolver uma actividade artesanal riquíssima. Trabalhos em osso e dente de baleia, reproduzindo cenas e instrumentos da actividade baleeira, assim como outros temas, nomeadamente réplicas de botes baleeiros, são uma expressão artística de elevada qualidade. Peças esculpidas em madeira de cedro, trabalhos em ráfia, palha de trigo, escamas de peixe e bordados são outra faceta do artesanato picoense. O Pico possui artesãos de renome.
Na ilha do Pico há excelentes grupos folclóricos e interpretes de música popular. A Chamarrita, o Caracol, Larum-tam-tum, etc. São modas que antigamente eram bailadas em dias de festa.







ATIVIDADES
Mergulho, observação de baleias e golfinhos, pesca desportiva, iatismo, caça (coelhos em grande número, galinholas, pombos e codornizes),mini golfe, passeios a pé e caça submarina, são boas ideias para conhecer a ilha.
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