quarta-feira, 11 de maio de 2016

SÃO MIGUEL

GEOGRAFIA São Miguel é a maior ilha do arquipélago e tem 62,1 quilómetros de comprimento, 15,8 quilómetros de largura maxima, com uma área de 744,7 km2, albergando mais de metade da população açoriana: 137 856 habitants, Segundo dados de 2011. São Miguel forma o Grupo Oriental do Arquipélago dos Açores junto com a ilha de Santa Maria, situada a 81 km de distância. O ponto mais elevado da ilha, aos 1105 m de altitude, é no Pico da Vara, a 37°48’34’’ de latitude norte e 25°12’40’’ de longitude oeste. HISTORIA A ilha foi descoberta em 1427, e em 1439 teve início o seu povoamento na Povoação, com portugueses da Estremadura, Algarve, Alto Alentejo e alguns estrangeiros principalmente oriundos de França. A descoberta dos Açores foi uma comenda dada pelo infante D. Henrique a Gonçalo Velho Cabral, ficando o comendador com a obrigação de mandar povoar as ilhas e de as defender, sendo dados incentivos ao povoamento através de cartas régias de 1443 e 1447. Devido á densa cobertura vegetal na época do seu descobrimento, foi possivel a abertura de campos de cultivo, com a madeira utilizada como fonte energética e de material de construção. A fertilidade do solo e a posição geográfica da ilha contribuiram também para uma rápida expansão económica, centrada na produção do trigo (para as guarnições portuguesas das praças do norte de África), da cana-de-açúcar, do pastel e da urzela - as plantas tintureiras exportadas para a Flandres. Em 1450, terá sido formada a Capitania-donataria de São Miguel e de Santa Maria, tendo como capitão-do-donatário, Gonçalo Velho Cabral. Embora não se conheça o ano da sua fundação, é certo que Vila Franca do Campo é a mais antiga vila da ilha, pois já era vila em 1472. Em 1474, era sede da Capitania-donataria de São Miguel. A 10 de março de 1474, João Soares de Albergaria, sobrinho de Gonçalo Velho, vendeu os direitos sobre a Ilha de São Miguel a Rui Gonçalves da Câmara, passando este a ser o seu 1º capitão-do-donatário de São Miguel. No documento é dito que "a dita ilha desde do começo da sua povoação até ao presente é muito mal aproveitada e pouco povoada". A venda é confirmada pelo rei D. Afonso V, a 20 de maio. Foi reconfirmada pelo então Donatário dos Açores, o infante D. Diogo, filho do infante D. Fernando, a 25 de julho de 1483. A 2 de maio de 1499, por alvará de D. Manuel I, foi criada a vila de Ponta Delgada. A burguesia e nobreza do lugar Ponta Delgada oponham-se à dependência administrativa e fiscal de Vila Franca do Campo.
Em 4 agosto de 1507, o lugar de Ribeira Grande, na costa norte, foi elevado à categoria de vila. Em 28 de julho de 1515, o lugar de Água de Pau foi elevado à categoria de vila. Em 18 de julho de 1514, o lugar do Nordeste foi elevado à categoria de vila. A 11 de abril de 1522, o lugar da Lagoa foi elevado à categoria de vila, por alvará de D. João III.
Em 3 de julho de 1839, por alvará de D. Maria II, os lugares de Povoação e de Capelas são elevados à categoria de vila. Em 20 de outubro de 1522, o capitão-do-donatario Rui Gonçalves da Câmara, fixa residência em Ponta Delgada. O sismo de 22 de outubro, que soterrou Vila Franca do Campo, fez Ponta Delgada adquirir proeminência, sendo esta elevada a cidade por alvará de D. João III, em 2 de abril de 1546. Em 17 de julho de 1582, um exército leal a D. António, Prior do Crato, foi derrotado pelos espanhóis de Filipe II de Espanha, no lugar depois chamado de Batalha, no lugar dos Aflitos, na freguesia dos Fenais da Luz. Em 26 de julho de 1583, uma esquadra francesa, juntamente com portugueses - em apoio de D. António, foi derrotada pelos espanhóis, em frente a Vila Franca do Campo. Findou assim a resistência ao domínio espanhol. Em 18 de abril de 1641, foi aclamado rei D. João IV em Ponta Delgada. Com a Restauração da Independência, a cidade de Ponta Delgada recuperou a sua posição de centro comercial, desenvolvendo contatos com o Brasil, para onde foram emigrantes (Maranhão, Santa Cataria e Rio Grande do Sul). No decurso do século XVIII, registou um surto de notáveis construções, desde solares a igrejas. Isto deveu-se em grande parte à riqueza originada com a produção e a exportação de laranja, cujo principal mercado era a Inglaterra.
Em 1831, desembarca o exército liberal no Pesqueiro da Achadinha, no nordeste da ilha, sob o comando do futuro Duque da Terceira, para derrotar o exército absolutista. Em 1832, parte de Ponta Delgada uma força militar que iria participar no cerco do Porto. O infante D. Pedro proclamou a Monarquia Constitucional e declarou como rainha D. Maria II, sua filha. Terminada a guerra civil, prosseguiu o desenvolvimento em curso da ilha. sendo construído o porto de Ponta Delgada. Introduz-se novas culturas, nomeadamente do chá, tabaco, ananás e maracujá. No contexto da I Guerra Mundial, a 4 de julho de 1917, Ponta Delgada e arredores foram bombardeados por granadas do "Deutchland", um submarino alemão da classe U-115. O submarino foi repelido pelo fogo de artilharia do navio carvoeiro norte-americano "Orion" estacionado na doca, apoiado pela artilharia na Madre de Deus mal posicionada,. A partir desse ataque, foi instalada pelos EUA uma base naval de apoio em Ponta Delgada, que se manteve em operação até setembro de 1919. Nesse período, cerca de 2 000 navios passaram pelo porto. O abastecimento a essas embarcações e a milhares de militares em trânsito, resguardou a economia da ilha das dificuldades da I Guerra Mundial e possibilitou a formação de algumas pequenas fortunas. Atualmente, a ilha tem uma economia diversificada e em crescimento. O desenvolvimento assenta na agro-pecuária, na pesca e indústrias agro-alimentares, turismo ajudam a relançar a economia e contribuem para o atual crescimento económico e social. Ponta Delgada, principal cidade dos Açores, é um dos centros de decisão política e administrativa da Região. Antero de Quental (1842-1891) foi um poeta e filósofo português, um verdadeiro líder intelectual do Realismo em Portugal, que se dedicou-se à reflexão dos grandes problemas filosóficos e sociais de seu tempo, contribuindo para a implantação das ideias renovadoras da geração de 1870. Nasceu na localidade de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel ( Acores) a 18 de abril de 1842. Filho do combatente Fernando de Quental e Ana Guilhermina da Maia iniciou seus estudos em Ponta Delgada e com 16 anos foi estudar Direito em Coimbra. Em 1861 publicou "Sonetos de Antero". Em 1865, um grupo de estudantes da Universidade de Coimbra, critica as velhas ideias do Romantismo, o que fez surgir uma polêmica entre a velha e a nova geração de poetas. Essa manifestação originou-se de um texto do poeta romântico Antônio Feliciano de Castilho, no qual ele criticava as novas ideias literárias de Antero de Quental e Teófilo Braga. Antero responde de maneira violenta, escrevendo uma carta aberta que foi divulgada com o título de "Bom senso e bom gosto", nela Antero acusa Castilho de obscurantismo e defende a liberdade de pensamento dos novos escritores. Essa polêmica ficou conhecida como a "Questão Coimbrã. Neste mesmo ano ele publica "Odes Modernas".
Em 1866, foi morar em Lisboa, trabalhar numa tipografia. No ano seguinte foi para Paris, só regressando para Lisboa em 1868. Em 1869, fundou o jornal "A República". Em 1871, junto com Eça de Queirós, Oliveira Martins e Ramalho Ortigão, planeja uma série de "Conferências Democráticas", que eram realizadas no Cassino Lisbonense. Em 1872, publicou "Primaveras Românticas". O programa da conferência abordava, entre outras coisas, a preocupação com a transformação social, moral e política dos povos, da necessidade de ligar Portugal aos movimentos modernos de agitar na opinião pública as grandes questões da filosofia e da ciência e realizar transformações na política, economia e religião da sociedade portuguesa. Depois da quinta conferência, por decreto real, o cassino foi fechado. Antero de Quental expressa nos seus sonetos a sua inquietação religiosa e metafísica constituindo a parte mais importante de sua obra: "Sonetos de Antero" (1861), "Primaveras Românticas" (1872), "Sonetos Completos" (1886) e "Raios de Extinta Luz" (1892). É considerado, ao lado de Bocage e Camões, os grandes sonetistas da literatura portuguesa. Antero Tarquínio de Quental sofrendo de depressão, suicida-se no dia 11 de setembro de 1891, na sua terra natal. FESTIVIDADES LOCAIS As maiores festas da ilha são as do Sr. Santo Cristo, realizadas em Maio, no quinto domingo após a Páscoa. Devido a estas festas, vários turistas e emigrantes visitam a ilha, para conhecer ou matar saudades da terra. Estas realizam-se no Campo de São Francisco, tendo como ponto central a igreja do Santo Cristo dos Milagres, onde é venerada a imagem do Santo Cristo dos Milagres, a mais antiga e maior devoção popular do país.
Temos também as festas do Espirito Santo, espalhadas por toda a ilha. Nestas são oferecidas Sopas do Espirito Santo, junto com massa sovada e arroz-doce. Estas festas locais tiveram origem em Portugal Continental, muito provavelmente com a Rainha Santa Isabel, e foram introduzidas nas ilhas pelos primeiros povoadores. Devido aos frequentes sismos erupções vulcânicas, estas foram adquirindo características únicas, misturando-se o profano com o sagrado numa genuína demonstração da cultura popular. Em 1522, a ilha de São Miguel, sofreu um grande terramoto que arrasou com Vila Franca do Campo, o que levou o povo micaelense a implorar a protecção divina. Mas foi quando D. Manuel da Câmara, 1º Conde da Ribeira Grande, teve o seu único filho, D.José da Camâra, que estas festas passaram a ser celebradas com maior pompa e circunstância. Isto, pois o seu nascimento foi considerado um ato divino.
PONTOS DE INTERESSE TURISTICO Quando decidir viajar ate São Miguel, é imprescindível visitar as lagoas das Sete Cidades, Furnas e a do Fogo, tal como o Parque Terra Nostra, considerado um dos mais belos jardins do mundo. Este dispõe de uma das maiores colecções de camélias existente, entre outras espécies de flora. Neste parque encontra também uma piscina de águas férreas termais de cor acastanhada e com uma temperatura média de 25º, ideal para um banho relaxante. Poderá conhecer os campos e as fabricas de chá da ilha, a da Gorreana, que começaram a sua actividade no século XIX e ainda hoje é a mesma maquinaria que processa as folhas de Camellia sinensis que dão origem ao chá dos Açores. Os visitantes são convidados a conhecer toda a fábrica, um autentico museu, e a provar as várias variedades de chá aí produzidas)e a do Porto Formoso.
A não perder é também a ermida de Nossa Senhora do Monte Santo, na localidade de Água de Pau, que assinala o local de aparições de Nossa Senhora em 1910; a igreja da Senhora da Vitória nas margens da lagoa das Furnas, uma zona muito bonita para um picnic ou para uma sesta depois de um bom cozido. A salientar também as estufas de ananas, cultura introduzida nos Açores em 1850; as Portas da Cidade que dão as boas vindas a quem chega à ilha (No largo em frente situa-se a estátua do descobridor Gonçalo Velho Cabral e, por trás, a igreja matriz de São Sebastião com um lindíssimo pórtico Manuelino.
No extremo oeste da ilha fica a estância termal da Ferraria. O edifício onde funcionam as termas e um restaurante, foi recentemente recuperado. Mais à frente, numa paisagem quase lunar, fica a piscina natural, no próprio mar, onde uma nascente termal mantém as águas sempre quentes. Alem destes, temos a Caldeira Velha na encosta de Agua d'Pau, com agua aquecida por uma caldeira vulcânica; o Aqueduto, situado nas encostas do vulcão das Sete Cidades. Como não podia deixar de ser, temos ainda os grafites com temas variados, espalhados por toda a cidade. ACTIVIDADES Para conhecer melhor a ilha, tem a sua disposição imensos trilhos pedestres. Passeios a cavalo e de bicicleta são outro modo de desfrutar da beleza da ilha. Os dois campos de golfe de São Miguel, além da prática do desporto, possibilitam um contacto direto com uma Natureza intacta. Os que desejarem mais acção, podem optar por explorar a ilha de jipe 4x4, moto4 ou de BTT. Um voo de parapente permite captar fotografias singulares e apreciar as belas lagoas de um ângulo fora do comum. A descoberta do mundo subterrâneo da ilha faz-se numa visita à Gruta do Carvão e existem várias secções de escarpas equipadas para a prática da escalada. Pode praticar canoagem e outros desportos náuticos em lagoas implantadas nas caldeiras de vulcões. Com a devida licença, também é possível pescar, prática que encontra um paraíso por excelência ao longo da extensa costa rochosa. O mergulho, a observação de cetáceos e a pesca de alto mar são actividades com grande desenvolvimento. Na costa norte da ilha são os spots para a prática do surf e do bodyboard que cativam. Praias de areia vulcânica como as do Pópulo, Água d’Alto e Ribeira Quente, piscinas naturais dispersas ao longo da ilha e os balneários termais da Ferraria e das Furnas constituem sítios ideais para relaxar das emoções fortes e retemperar energias antes da próxima aventura micaelense.
GASTRONOMIA A ilha de São Miguel apresenta uma grande variedade gastronómica, desde o caldo azedo, as couves solteiras, os fervedouros, o polvo guisado em vinho de cheiro, os torresmos em molho de fígado, as caldeiradas de peixe, o arroz de lapas, o ensopado de trutas, as lapas de molho Afonso, o feijão assado, galinha assada com recheio (uma especie de açorda), os chicharros recheados, e o famoso cozido das Furnas, no qual o tacho é enterrado, envolto num saco, para que o calor vulcânico atue, e passadas algumas horas está pronto a deliciar o paladar com o seu sabor. Além disto, para os apreciadores de marisco, temos Lagosta, cavaco, caranguejos e as cracas. Quanto a queijos, São Miguel oferece o branco e macio queijo de cabra fresco e o queijo da Ilha, de sabor picante quando seco. A antiga doçaria conventual, enche-nos as medidas com as delíciosas queijadas de Vila Franca do Campo, os confeitos da Ribeira Grande, o bolo lêvedo das Furnas, a barriga-de-freira, a massa sovada, os bichos de amêndoa e diversas compotas, por exemplo de ananás, amora e de capucho, pequeno fruto de uma planta herbácea. No que toca a bebidas, temos o vinho de cheiro ou morangueiro, com perfume característico e pouco encorpado e licores de maracujá doce e seco, ananás, amora, capucho, chocolate, banana e de leite.

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