quarta-feira, 11 de maio de 2016

FLORES

As Flores tem 16,6 quilómetros de comprimento, 12,2 quilómetros de largura máxima da ilha e 141,4 km2da de superfície. É neste pedaço de terra habitado por 3 793 pessoas, segundo dados de 2011, que o continente europeu tem o seu ponto mais ocidental. A ilha das Flores faz parte do Grupo Ocidental do arquipélago, em conjunto com a ilha do Corvo, que está a uma distância de 17,9 quilómetros. O ponto mais elevado da ilha, aos 911 m de altitude, está situado no Morro Alto, a 39°27’48’’ de latitude norte e 31°13’13’’ de longitude oeste.
HISTORIA Não há registo da descoberta das duas ilhas do grupo ocidental, talvez por estas ficarem um pouco afastadas das demais ilhas do arquipélago. A certa altura, os próprios documentos oficiais distinguiam as sete “ilhas dos Açores” das duas “ilhas das Flores”. Defende-se que o primeiro avistamento das Flores e do Corvo, naturalmente fortuito e ocasional, possa ter ocorrido, ainda, durante o século XIV. Seja como for, é a Diogo de Teive, armador de navios e escudeiro do infante D. Henrique, e a João do Teive, seu filho, que se deve a (re) descoberta destas duas ilhas, ocorrida durante uma dupla expedição que Cristóvão Colombo registou nas suas notas, tal como a diz ter ouvido descrever ao piloto Pêro Velasco, um dos protagonistas dessa viagem. Na primeira parte da expedição, iniciada no Faial, Teive descobriu as Flores e o Corvo, provavelmente no final do verão de 1452, mas a tempo, ainda, de rumar ao reino, onde a título de recompensa, obteve a 5 de Dezembro, por carta do infante D. Henrique, a concessão do monopólio do fabrico de açúcar na Madeira. Dos Teives, seus “achadores” oficiais, passaram por contrato estas duas ilhas, em Janeiro de 1475, a Fernão Telles de Meneses, sem que os tres tivessem feito grande coisa para incentivar a sua ocupação humana. Os Teive terão, talvez, lançado nelas algumas ovelhas, que simultaneamente lhes justificasse aquela posse e garantisse também apoio às suas viagens atlânticas para Ocidente. Fernão Meneses, membro do Conselho do Rei e com vastos interesses no comércio marítimo, morreu em 1477 de uma pedrada em Setúbal, pelo que foi já a sua viúva, D. Maria de Vilhena, na qualidade de tutora do filho, ainda menor, quem contratualizou com o flamengo Guilherme da Silveira (antes, Wilhelm van der Haegen) os direitos de exploração das duas ilhas do grupo ocidental. Em definitivo, o povoamento das Flores só ocorreu na primeira década do século XVI, quase de certeza um ou dois anos depois de 1504, data em que a posse da Capitania das duas ilhas do grupo ocidental passou dos Telles de Menezes para João da Fonseca. Desta feita, porém, as famílias trazidas pelo novo senhor das Flores e do Corvo, ainda que tomando a ilha, pela zona do porto da Amoreira, em Santa Cruz, logo se dispersaram por vários núcleos ao longo da costa, ocupando cada qual o que lhes coubera na distribuição de terras. É a própria toponímia da ilha que sustenta esta tese, com várias fajãs – de Lopo Vaz, dos Valadões, de Pedro Vieira – e uns tantos ilhéus – de Álvaro Rodrigues, de Maria Vaz – a perpetuarem, decorridos que são já cinco séculos, os nomes de alguns desses primeiros colonos. No último quartel de Quinhentos, não só estavam já formalmente constituídas as três mais antigas paróquias das Flores – Santa Cruz, Lajes e Ponta Delgada (não confundir com a cidade da ilha de São Miguel detentora do mesmo nome), por sinal bem afastadas umas das outras, como, um pouco por toda a ilha, se consolidavam também os núcleos embrionários – Gaspar Frutuoso refere-se especificamente aos Cedros, Caveira e Fajã – de futuras paróquias. A crer em frei Diogo das Chagas, bisneto de um dos primeiros povoadores da ilha, Santa Cruz nasceu, como povoado, à volta da já desaparecida Ermida de São Pedro. Em meados de Quinhentos, porém, a povoação, já feita vila, ganhara nova centralidade ao redor da sua primitiva Igreja Matriz, várias vezes devastada pelo fogo que lhe lançou a pirataria, mas outras tantas vezes, também, reparada de Santapalha, até que em 1627 foi finalmente reconstruída e coberta de telha. Desde muito cedo, todavia, começara a vila a ganhar a sua configuração central, de tal sorte que Gaspar Frutuoso já a descreve, cerca de 1589, como “vila muito chã e bem arruada”, ainda que as suas casas fossem cobertas todas de palha. FESTIVIDADES Vale a pena participar nas Festas de São João. Estas realizam-se na última semana de Junho (o feriado ocorre no dia 23), em Santa Cruz. Temos também a Festa do Emigrante, um festival musical e cultural que tem lugar nas Lajes das Flores, em meados de Julho. GASTRONOMIA No Inverno, com as dificuldades de sair para o mar em busca de peixe, a carne suína servia muitas vezes de sustento. Dai, surgir a cozinhada de porco. Trata-se de carne de porco em salmoura, depois de demolhada, é cozida e servida com batata e couve. Temos ainda o Inhame com linguiça e sopa de agrião. O queijo curado produzido na ilha apresenta pasta mole de textura firme. Um prato um pouco diferente dos existentes nas restantes ilhas são as tortas de erva patinha. Uma espécie de omeleta com algas marinhas. O peixe, que faz parte do património gastronómico tradicional da ilha, é convertido em receitas diversas, como a albacora assada no forno e a caldeirada de congro. O microclima de certas zonas permite ainda o crescimento de frutas exóticas, como o araçá, uma planta da família da goiabeira, com que se produz um doce típico. É de salientar tambem, o mel que apanha o aroma das imensas flores que embelezam a ilha. PONTOS DE INTERESSE TURISTICO Poderá visitar a Cascata da Ribeira Grande, graças ao espectáculo único que as suas 20 quedas de água proporcionam; a Cascata do Poço do Bacalhau; a Fajã Grande. Os largos da câmara municipal e da igreja matriz, bem distanciados do cais, constituem os dois pólos principais da vida urbana. Daqui aconselha-se um passeio de carro por algumas das bucólicas povoações dispersas pela região, como a Fajãzinha, que alberga um bela igreja do século XIII, ou Fazenda, onde merece olhar atento a Igreja do Senhor Santo Cristo dos Milagres. Isto, além da Igreja de Nossa Senhora dos Remédios; dos Miradouros da Caldeira e do Morro Alto; da Praias das Lajes das Flores e; a Reserva Natural das Caldeiras Funda e Rasa. Tem ainda ao seu dispor museus, monumentos, vilas e aldeias históricas, parques e jardins de Lajes Das Flores, miradouros, parques naturais e áreas protegidas e refresque-se nas piscinas e praias fluviais da região. A Rocha dos Bordões é um verdadeiro monumento natural constituído por curiosas colunas de basalto, de onde deslizam vários cursos de água.

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